Uma igreja cheia do Espírito Santo

Revendo as marcas da primeira comunidade cheia do Espírito, fica evidente que todos eles se preocupavam com os relacionamentos dentro da igreja. Em primeiro lugar, estavam relacionados aos apóstolos (em submissão). Estavam ansiosos para receber as instruções deles. Uma igreja cheia do Espírito Santo é uma igreja apostólica, uma igreja neotestamentária, ansiosa para crer naquilo que Jesus e seus apóstolos ensinaram, pronta para obedecer. Em segundo lugar, eles estavam ligados uns aos outros (em amor). Eles perseveravam na comunhão, amparando-se mutuamente a ajudando os pobres nas suas necessidades. Em terceiro lugar, estavam ligados a Deus (em adoração). Eles o adoravam no templo e em casa, nas ceias do Senhor e nas orações, com alegria e reverência. Uma igreja cheia do Espírito é uma igreja que cultua. Em quarto lugar, eles estavam ligados ao mundo (em evangelização). Eles estavam engajados numa evangelização contínua. Nenhuma igreja egocêntrica, autossuficiente (absorta em seus próprios negócios paroquiais) pode afirmar que está cheia do Espírito. O Espírito Santo é um Espírito missionário. Portanto, uma igreja cheia do Espírito é uma igreja missionária.

Não precisamos esperar, como os 120, pela vinda do Espírito Santo. Pois o Espírito Santo veio no dia de Pentecoste, e nunca mais deixou a sua igreja. Nossa responsabilidade é nos humilharmos diante de sua autoridade soberana, decididos a não apagá-lo, mas a lhe dar toda a liberdade. E então, nossas igrejas irão manifestar, novamente, as marcas da presença do Espírito que muitos jovens estão buscando especialmente: ensino bíblico, comunhão em amor, adoração viva e uma evangelização contínua e ousada.

– John Stott, A Mensagem de Atos

Deus planejou a cruz

Em seu sermão, Pedro, referindo-se à morte do nosso Senhor, disse: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e pré-conhecimento de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos”. Notem as palavras “pelo determinado conselho e pré-conhecimento de Deus”. É disso que trata a mensagem cristã. Ela nos diz que a morte de Cristo na cruz não foi um acidente, que em última análise era parte do plano e propósito de Deus. O grande e eterno Deus, que revelou seu plano há centenas de anos, está efetuando o seu plano, e, como parte dele, enviou seu Filho a este mundo e, sim, enviou-o à morte de cruz.

E o objetivo desse plano? Salvar. A parte final da citação de Joel diz: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”. Salvo do quê? Salvo da miséria eterna, que é a punição que todos nós merecemos mais que justamente de Deus, contra quem nos rebelamos e a quem temos ofendido. E somos salvos para um conhecimento positivo de Deus, para uma vida nova e mais completa, para uma vida de amplitude crescente, vida que leva à glória eterna. Esse é o plano de Deus, e é isso que foi revelado por meio dos profetas em todos aqueles séculos anteriores.

Deus enviaria um Salvador para ser entregue pelo determinado conselho e pré-conhecimento de Deus. Deus enviou seu Filho ao mundo para ele levar sobre si a culpa dos nossos pecados. Deus puniu os nossos pecados em seu Filho. Deus que planejou a cruz e ressuscitou seu Filho, pois era impossível que a morte o retivesse.

Essa é a mensagem cristã: todos precisamos ser libertados da culpa, da escravidão, do poder e do cativeiro do pecado, e que é unicamente Cristo que pode libertar-nos.

– Martyn Lloyd-Jones, Cristianismo Autêntico (adaptado)

A instituição da Igreja e a salvação

Em Atos 2 Deus está dando início à Igreja Cristã. Deus estava continuando, estava agindo neles e por meio deles. Os homens e as mulheres, em sua cegueira e em seu pecado, têm feito o máximo que podem para arruinar a Igreja Cristã. Se ela fosse criação nossa, teria deixado de existir há muito tempo, como muitas outras instituições. As pessoas entendem mal as coisas; elas agem mal, pegaram o erro, e por isso a Igreja teria morrido. Daí, por que será que a Igreja continua existindo. Há só uma resposta: Deus vem em avivamento. Deus torna a enviar o seu Espírito. Vejam a Reforma Protestante. Deus, como enviara Sua Palavra a João Batista, enviou-a a Martinho Lutero, e quando Deus envia sua Palavra, ainda que somente a um homem, e lhe dá grande poder, ele pode transtornar uma igreja grande com quinze séculos de tradição em seu passado.

Deus, o Deus vivo e ativo, enviou o vento veemente e impetuoso. Por que o faz? Para a salvação. “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (At 2.21). Toda pessoa precisa ser salva, por mais importante, por mais ilustre que seja. Todos nós somos pecadores. Todos nós somos pecadores. A ira de Deus está sobre todos nós.

Oh, não há esperança na humanidade; a única esperança é que Deus existe e que ele é o Deus que desce até nós, o Deus que oferece salvação. Ele enviou seu Filho ao mundo, enviou-o até à cruz para morrer, para seu corpo ser partido, seu sangue derramado, para que “todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

– Martyn Lloyd-Jones, Cristianismo Autêntico, p. 43-45

A mensagem da Igreja ao mundo

O Senhor Jesus Cristo era o tema da pregação da Igreja Primitiva. Ele é o tema do Evangelho de Lucas. Ele é o tema de Atos dos Apóstolos. É isso que tragicamente foi esquecido na época atual. “O que nos falta”, dizem as pessoas, “é a aplicação do seu ensino”. Não. Não! O que vocês precisam é conhecê-lo e entrar em relação com ele. Não se começa por seu ensino – começa-se por ele. Esta é a mensagem: “Tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar”. O nosso Senhor disse aos seus discípulos: “Ser-me-eis testemunhas” (At 1.8). Ele estava enviando estes homens para pregarem. Disse ele: vocês não vão simplesmente pregar o meu ensino. Vocês vão pregar ao meu respeito.

E, ao lerem este livro de Atos, vocês verão que os discípulos do nosso Senhor sempre pregavam “Jesus e a ressurreição” (At 17.18). Eles iam ter com as pessoas e lhes falavam sobre esta Pessoa. Nisso consistia todo o ensino deles. Vocês nunca os verão partir de situações políticas ou sociais. Eles diziam: escutem, temos algo para dizer-lhes sobre uma pessoa cujo nome é Jesus.

E o que é que os discípulos diziam a respeito dele? Bem, os fatos são da máxima importância. No evangelho, Lucas oferecera fatos, e aqui, em Atos ele torna a oferecer fatos. Entretanto ele não pára nisso; preocupa-se igualmente com o sentido e com a relevância desses fatos. E os explica. Ele não escreve somente sobre o que Jesus fez, mas também sobre o que Jesus ensinou. As duas coisas sempre devem andar juntas: os atos do nosso Senhor e o seu ensino.

– Martyn Lloyd-Jones

Por que estudar o livro de Atos?

O livro de Atos é o único relato revestido de autoridade que temos do começo, da origem, da Igreja Cristã. Qual seria a importância desse estudos no ano de 2017? A importância diz respeito ao fato de que a necessidade mais vital do mundo hoje é de saber com exatidão o que é a mensagem cristã!

Há uma verdadeira confusão hoje sobre o cristianismo e sobre a Igreja Cristã – sua natureza, sua tarefa e sua mensagem. Isso é uma grande tragédia. Pense nos problemas que afligem as pessoas hoje em dia, individual e coletivamente. Pense na infelicidade, nas mágoas, no cinismo e nas amarguras da vida. Todos nós estamos
cientes desses problemas humanos, como são chamados. Mas, se tão-somente as pessoas fossem verdadeiramente cristãs, a maioria desses problemas seria resolvida imediatamente. E a mesma coisa acontece com as nossas tensões e dificuldades internacionais. Inimizade, guerra e conflitos devem-se ao fato de que os homens e as mulheres estão numa errônea relação com Deus, e só descobrirão como entrar numa relação verdadeira conhecendo, crendo e aceitando a mensagem da Igreja Cristã, a mensagem do evangelho, e
submetendo-se a essa mensagem.

A grande mensagem da Igreja é, nos termos em que Lucas a coloca logo no começo de Atos, uma mensagem sobre o Senhor Jesus Cristo. Isto é cristianismo: “… tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar”- o que Ele está fazendo e o que ainda vai fazer na igreja e através da igreja.

– Martyn Lloyd-Jones (adaptado)